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Projectar o Futuro

Brexit: portugueses estão protegidos?

Publicado em 30-05-2017

Desde que os resultados do referendo sobre a permanência dos britânicos na União Europeia foram anunciados o debate subiu de tom, sobre o impacto da medida para os estrangeiros que lá vivem, para os investimentos feitos neste mercado e para a solidez da própria UE. A maior parte das respostas continua por dar, mas já há algumas pistas sobre como pode a decisão influenciar a vida dos portugueses.

Nos últimos anos, o Reino Unido foi um dos países mais escolhidos por quem decidiu emigrar. Oficialmente, o número de portugueses a viver no país ultrapassa os 200 mil, mas as autoridades estimam que o número real mais do que duplique o de inscritos nos consulados.

As negociações que vão formalizar a saída dos britânicos da União Europeia, daqui a dois anos, estão no arranque, mas a primeira-ministra tem garantido que os direitos dos europeus que trabalham no país não se alterarão, uma garantia que os governantes portugueses dizem também já ter recebido.

Na prática, os salários dos portugueses residentes no Reino Unido continuarão a ser pagos em libras, como já acontece hoje, e, portanto, a esse nível nada muda. Se a inflação no país continuar a aumentar, aí sim haverá motivos para preocupações, porque quando os preços aumentam o poder de compra retrai-se.

O envio de remessas de dinheiro, além de menos rentável – mesmo com a libra ainda a valer mais do que o euro –, também tende a tornar-se mais complicado e caro depois de concretizada a saída, se os britânicos não conseguirem assegurar um estatuto especial para as transações financeiras, no que se refere a taxas e burocracias extracomunitárias.

Entretanto, as reações do mercado financeiro à decisão têm-se feito sentir e isso materializa-se nas flutuações da libra, que caiu ao nível mais baixo dos últimos 30 anos, mas tem vindo a recuperar algum terreno.

Uma moeda mais fraca são más notícias para quem investe. Os resultados de 2016 de muitas empresas já refletiram isso e a queda de 48% do investimento português no país também, mas os especialistas garantem que é cedo para dizer se a tendência negativa se manterá no médio longo prazo.

As atenções estão todas voltadas para o tom das negociações que agora se iniciam entre o país e a UE, que dará aos mercados mais ou menos confiança numa transição suave e pouco penalizadora e definirá, em concreto, quanto vai custar aos britânicos cortarem amarras.

Portugal, entretanto, preparou-se para captar novos investimentos das empresas e instituições que terão de sair de Londres para se manter na UE e já tem um programa em marcha. Se for bem-sucedido, pode ajudar a criar emprego e aumentar o nível de investimento estrangeiro no país.