O seu Dia a Dia
Saber Poupar

É de pequenino que se começa a poupar

Publicado em 01-03-2018

Criar filhos responsáveis, capazes de gerir bem o seu dinheiro e de valorizar o esforço do trabalho – que leva à respetiva recompensa –, é uma ambição de qualquer pai. Como noutros domínios da educação, incutir responsabilidade e orientação à poupança são metas que devem ser trabalhadas com os mais novos desde cedo, para que sejam encaradas como algo natural e que mais tarde passará a ser feito com espontaneidade.

Vários especialistas têm escrito sobre o tema e apontado um conjunto de recomendações para garantir sucesso na missão. Uma das mais repetidas é a importância de ensinar pelo exemplo. Os filhos gostam de replicar os comportamentos dos pais, pelo que será mais fácil ensinar uma criança a poupar e a valorizar uma gestão responsável do dinheiro, se esse tipo de prática imperar em casa.

Outro aspeto fundamental é a capacidade de fazer entender as razões de um esforço de poupança. É mais fácil envolver a criança em tarefas que ela compreenda como funcionam, porque existem e que resultados podem atingir.

Por outras palavras, se compra um mealheiro ao seu filho e lhe pede para lá guardar as moedinhas que for ganhando, faz sentido explicar que esse gesto tem um objetivo a concretizar, fazendo-o compreender que um esforço de poupança menor e maior conduz a resultados diferentes. Por exemplo, se juntar 100€ pode comprar um carro telecomandado, se juntar 300€ pode comprar uma consola. Se toda a família se juntar para amealhar mais ainda podem ir à Disneylândia.

Se conseguir transmitir esta perceção de curto, médio e longo prazo, vai ajudar a criança a perceber que é preciso um esforço maior para comprar algo mais caro e que pelo caminho é preciso resistir à tentação de gastar o dinheiro com coisas mais baratas, ou nunca alcançará o objetivo.

Neste contexto é importante explicar o valor das moedas e notas e dar exemplos do que é possível comprar com cada soma, bem como combinar objetivos de curto prazo com objetivos de mais longo prazo, para que o entusiasmo pelo projeto se mantenha e para que a criança possa perceber que as metas traçadas são alcançáveis e resultam numa recompensa. Ir contando o dinheiro amealhado, para comprovar que o objetivo definido está cada vez mais próximo, também é uma boa estratégia para manter o nível de entusiasmo elevado.

À medida que a idade vai avançando é importante fazer os mais novos compreenderem que nem todo o dinheiro amealhado pode ser usado para comprar brinquedos e que manter uma poupança de longo prazo é fundamental para fazer face a imprevistos.

Ir explicando os custos associados à gestão de uma casa, como a conta da luz, da água ou das comunicações, vai ajudar os membros mais novos da família a perceberem que é necessário distribuir o orçamento disponível por diferentes tipos de despesas e a compreenderem que o seu comportamento na utilização de cada um destes serviços é relevante para os encargos da família.