O seu Dia a Dia
Tema da Semana

O que é a Euribor e como influencia a nossa vida?

Publicado em 29-03-2018

Se tem ou está a planear ter um crédito à habitação, já ouviu falar na Euribor, uma taxa que determina se o peso dos juros aumenta ou diminui no valor final da mensalidade a pagar ao banco. O que pode não saber é que taxa é esta, como é definida, quando e porque muda.

Pois bem, Euribor é o acrónimo que resume a designação Euro Interbank Offered Rate e na verdade não é uma, mas são várias taxas, cada uma com seu prazo: uma e duas semanas, um, dois, três, seis, nove e 12 meses, e são calculadas a partir da média dos juros cobrados pelos bancos nos empréstimos que fazem entre si, para se financiarem.

Nem todos os bancos europeus são considerados nesta equação. Há um painel de instituições que vai sendo revisto pela Federação Europeia de Bancos, para garantir que o grupo é composto por instituições de boa saúde financeira e é a partir das transações realizadas entre quem pertence a este painel de referência que as contas são feitas. Para fazer o cálculo à média de juros excluem-se 15% das taxas mais baixas e igual percentagem das taxas mais elevadas e é a partir dos restantes 70% que é calculada a média.

As taxas Euribor são fixadas todos os dias. Os bancos têm até às 10h, hora de Lisboa, para comunicar as taxas a que estão a emprestar dinheiro aos seus pares e assim que a informação é apurada são feitas as contas e é fixada a taxa.

Mas se o seu crédito bancário está indexado à Euribor a seis meses, a mais comum, isto não significa que a taxa vai mudar todos os dias. O prazo associado a cada Euribor, um, três ou seis meses, por exemplo, define a periodicidade com que a taxa é revista e só nessa altura é que é feita a atualização.

A relação entre a procura e a oferta é determinante para a evolução da Euribor. Em momentos de crise, por exemplo, o número de bancos em condições de conceder crédito a outros será muito inferior à quantidade de instituições que procuram empréstimos e, portanto, a tendência é que o preço de cada empréstimo aumente. Isso materializa-se na subida da taxa.

Em alturas de crescimento, como também se verifica na oferta que chega ao consumidor no seu dia a dia, há mais dinheiro a circular e como tal o crédito tem menos procura e fica mais barato. Outros aspetos, como a inflação e o crescimento económico, também influenciam a subida ou a descida da taxa.

Embora sejam taxas interbancárias, as Euribor são usadas como indexante do crédito à habitação e de outros empréstimos. Também servem de referência à remuneração de depósitos, sendo a sua evolução determinante para a melhor ou pior remuneração do depositante. Assim sendo, vale a pena conhecer esta taxa e estar atento às suas diferentes modalidades.

Voltando aos créditos bancários, sempre que um empréstimo é indexado a uma taxa variável deve ter em conta que quanto menor for o prazo da Euribor, mais está sujeito à realidade do mercado a cada momento, para o bem e para o mal. Ou seja, se a taxa se agravar rapidamente sentirá as consequências, se descer também.

Nos créditos de longa duração, como os da habitação, deve sempre ter em conta o peso desta taxa na evolução da mensalidade já que, em última análise, é ela que determina as maiores variações na renda.

Se se prepara para contrair um empréstimo deste tipo, na proposta de financiamento que o banco lhe apresentar pode agora encontrar projeções de evolução das taxas de juro, desenhadas com base na evolução dos últimos anos. Esta é uma das informações constantes das novas FINE – Fichas de Informação Normalizada Europeia, adotadas pela banca no início deste ano. É importante para avaliar cenários e garantir que, perante mudanças acentuadas na economia, continuará a ter condições para suportar o empréstimo que está a pedir.